22.5.08

Hello, old Barto


Dizem-me que foste de viagem e que, para o ano, já não vais poder honrar o cultivo rotineiro da minha memória, no repasto solene que o University College organiza para a Crabtree Society, nessa sagrada segunda terça-feira de Fevereiro. Que raio de ideia ires-te agora, logo tu que tanto te empenhaste em que este pobre súbdito britânico que eu sou não caísse no olvido, ao longo dos últimos anos, na seriedade lúdica das discursatas dessas noites de “black tie”, com aquela detestável comida, apenas suplantada pelos álcoois que a faziam esquecer e animavam as noites. No fundo, e fora alguns penetras da Padânia, foste tu quem internacionalizou o evento, convidando até uma senhora de nacionalidade hesitante, que me dizem pintar muito bem, para além de outras veneradas figuras das letras, oriundas da tua Lusitânia natal.

Sabes, confesso que vou sentir a tua falta nessas jantaradas. É que, ao lado de alguns monos que por lá apareciam e se emborrachavam por dever de ritual, tu fazias a diferença, trazias o humor saltitante, aberto e franco de quem foi adolescendo com os anos. As mulheres – que a esses jantares estiveram por muito tempo impedidas de assistir – devem-te uma homenagem de gratidão por teres chefiado o difícil movimento para o respectivo acesso, embora más línguas logo dissessem que essa foi a solução que encontraste para não deixar em casa a Fernanda, sozinha com o Beagles e com a gata. Outros, mais lúbricos, dizem que o gesto não seria tão desinteressado, e que te empenhaste apenas com o objectivo de trazer umas caras bonitas para a mesa. Ingratidões, claro…

Também Sintra te vai estranhar, como sabes. Falaram-me muito das noitadas de fim de ano, onde, nos bons tempos, se assistia de um terraço aos fogachos lançados por uma tal Estrela e se bebiam tantas doses de scotch que, pelo menos uma vez, um diplomata qualquer até te terá levado uma garrafa “marada” (é assim que se diz em português, não é?). O meu querido Byron tem ainda a agradecer-te o jantar organizado no “Lawrence”, para onde trasladaste a Society, numa noite que ficou memorável. E em Sintra – e volto a citar quem por lá andou – seriam também famosas as almoçaradas de Agosto, tendo à volta os teus amigos de sempre e os novos amigos que o ficavam para sempre. Noto que nunca me convidaste, mas tudo bem…

Andavas agora mais pelos Algarves, perdido de amores por Tavira, onde me dizem que querias fixar a tua vida. Gostam muito de ti, por lá, e vais ter, com toda a certeza, a história da tua carreira fixada com carinho por esses teus novos vizinhos próximos da mourama.

Da política do teu país, Barto, estou seguro que não vais sentir falta. Os teus queridos cravos murcharam de vez e, dizem-me, o tal socialismo passou a ser uma palavra murmurada muito baixinho, um pouco a medo, não vão os Mellos e os Espírito Santos de orelha ouvirem. O teu querido país de Abril foi-se, sem martelo, para tristeza de quem, como tu, até teimava em viver em Londres perto do túmulo do velho Karl. Aqui entre nós, conhecendo-te, eu acho que do teu PCP apenas achavas graça ao Ruben, o qual, nas almoçaradas de Agosto, ia anunciando os amanhãs que já só assobiam nas festas do Avante.

Nas artes, Barto, receio que as “troupettes” da Slade fiquem incuravelmente saudosas do teu charme, praticado no meio das pedreiras de Pêro Pinheiro, onde foste ao mármore para a estação do metro. Aliás, nunca te agradeci a referência que me fizeste nessa biblioteca, como creio que o meu colega Medeiros também o não fez, segundo me disse um amigo dele, o Hélder.

A minha única alegria, Barto, é que agora vou ter mais oportunidade de te encontrar. Sendo eu um cidadão da memória, e sabendo nós que ficarás para sempre na que os teus amigos de ti conservarão, acho que vamos ter o quê nos resta para além da vida para trocarmos graças sobre quem fica lá por baixo. Vamo-nos rir muito e, de certo, vamos contar por aqui com a ironia ácida do Knopfli e de outros conhecidos que cada vez mais se nos juntam para esse nosso festim fora do mundo. Aliás, esta vida são, ou foram, dois dias – e até eu, que a não tive, aprendi contigo que é nas noites de que tu tanto gostavas que tudo se cria.

Até breve, old chap

Joseph Crabtree

(Tradução de J. Fonseca, por cedência do teu amigo JC)

12.11.07

Armando Rafael

É, com certeza, algo generacional. Mas confesso que me assusta a frequência com que passo o tempo a dizer adeus aos amigos. E este blogue começa a transformar-se num obituário.

Agora foi o Armando Rafael, também traído pelo coração. Será que andamos depressa demais ?

O Armando era uma figura onde a cultura se colava ao humor, que fazia as coisas com um ar leve mas empenhado. Recordo a cavaqueira amena no gabinete que ocupava junto ao do António Costa ("o que era do Salazar", recordava), nas horas de espera antes de entrarmos em cena em S. Bento. Aí percorríamos a actualidade do dia, com comentários mordazes sobre a oposição, nessa 2a. metade dos 90. Depois perdemo-nos um pouco. Fui-o lendo no DN até que o António o chamou, como não podia deixar de ser, para seu braço direito na Câmara.

Um abraço sentido, António.

13.10.07

Fausto


Pois é, Fausto. Sem dizeres nada aos amigos, lá te foste, nessa Bruxelas que não te dizia muito, muito longe da tua "briosa". Fica-nos para sempre a tua ironia, a tua generosidade, o teu desejo de fazer bem o bem. Um abraço "old chap".

8.10.07

Com a esperança não se brinca



No passado o futuro era melhor ! Mas, apesar de tudo, viva Che !

20.6.07

AAAAAAAATCHIMMM!!!!

Uma horrível gripe, depois de uma grande viagem pela blogosfera, impede-me de hoje ir à Tertúlia, pese embora o meu regresso...
Logo hoje que a agenda de trabalhos era estimulante:
. Jorge Sampaio, no Prós e Contras, excessivamente cordato com Barroso que, como sempre, mimetiza as frases dos outros - tratado simplificado, em grande entusiasmo, num arreganho Sarkozyste, agora temperado pelo "será muito difícil" da Chanceler Merkel;
. vitória Sarkozyka na segunda volta à França, mas sem o "ras-de-marée" esperado: Juppé, armado em Fernando Gomes, julgou que voltava a Bordeus e eram favas contadas. Teve de demitir-se (ih!ih!ih!);
. Ségo e Hollande separam-se: duh!!!!!!
. Berardo, com sotaque Jardineiro, compra todos os dias, mais um bocadinho de Benfica...;
. Bush continua à procura do relógio que os Albanocas lhe fanaram. Esperemos que o PR lhe tenha levado um Swatch Kosovar.

AAAAAAATCHIMMMMMM!!!!

Desculpem, vou tomar aspirinas e abrir a porta ao Talleyrand que está a chegar de Paris...

25.4.07

25 de Abril, sempre!


5.4.07

Ressurreição precoce?

Senhor Juvenal, a ressurreição foi ao domingo e hoje ainda é 5ª feira!

Aleluia




















A Páscoa é quanto o homem quiser

9.2.07

Aplausos!

Faço minhas as palavras do Quim (apesar de tudo...)!

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Nostálgico, intrigado, apreensivo...


A despedida do senhor Juvenal traz-me à memória uma sua outra tentativa de praticar eutanásia sobre um inocente blog, o longínquo antepassado do Espírito, singelamente designado por Xabregas.

No dia 20 de Janeiro de 2005, o acima referido senhor Juvenal postou o seguinte e lancinante texto:


Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


JUVENAL SE DESPIDE DE USTEDES
Às vezes é por um copo mal servido, às vezes por uma boca mais foleira. É assim que se deixa um bar, é assim que se sai de um blogue. Adeus, Gil, "see you around". Mas sempre "por Xabregas" !


# posted by Juvenal : 23:56 3 comments


Felizmente, a sanha bloguicida do insigne xabreguista acalmou e, passado algum tempo, oa blogosfera em geral e Xabregas em particular rejubilaram ao ler esta mensagem:


Sábado, Fevereiro 12, 2005


... e à terceira semana ressuscitamos !
Ainda não estamos na Páscoa, mas uma ressuscitaçãozita, na véspera de festas, vem sempre a propósito.

Xabregas regressa assim nesta semana que anuncia "domingos que cantam" (do preâmbulo do Documento).

Transmitam-nos uma frase que caracterize o dia 21 de Fevereiro. Para a melhor frase haverá um prémio.

Qual é ? É claro que será uma cópia do Documento.


PS - A cor rosa com que este blogue reaparece é mera coincidência, claro ! E, como a lingua portuguesa (neste caso, latina) é muito traiçoeira, também o é este PS


# posted by Juvenal : 23:51 4 comments

Aproveito para recordar a epígrafe que ornava o cabeçalho do (agora sim) defunto Xabregas:


"da urgência em separar as águas lisas" in 'Documento de Xabregas'.


Espero que este exercício de arqueologia hiperespacial contribua para um breve regresso do senhor Juvenal ao convívio virtual com seus amigos, atentos, veneradores e obrigados.

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7.2.07

FIM... ATÉ VER

E com este marxiano post, fruto da ala mais preguiçosa da família Marx, nos despedimos do blog. Para sempre ? Sei lá!

27.1.07

A eânica criatura

A reverência de certos amigos meus perante o Eanes foi uma coisa que sempre me intrigou. Percebo que, quando deu jeito a alguns reaças, os "anti-social fascistas" da Álvares Cabral, seus aliados objectivos, tenham alinhado atrás desse sargentão com ar de cabo-de-esquadra, pronto a liquidar qualquer veleidade do Pacto de Varsóvia nas cercanias de Lisboa.

Menos interessante foi ver a esquerda floridiana colocar-se às suas ordens, apenas para se vingar, por seu intermédio, dos tempos da CEUD (o papa de Nafarros desforrou-se e todos lhe foram cair no papo, numa tarde de pragmatismo). Depois, a António de Serpa (melhor, a Soeiro Pereira Gomes, porque, como toda a classe média, o PCP já tinha encontrado a sua ascenção habitacional) caiu-lhe no goto, juntou-se à bilis do Zenha e entronizou-o, à espera que ele fosse um Costa Gomes II. Não foi, porque a História, como dizia o outro, só se repete como comédia e Eanes era uma farsa. E, mais tarde, esgotado o seu potencial de anti-soarismo, que o levou às raias do reaccionarismo, apagou-se, tal como da moda saiu o penteado da D. Manuela. Sobrevive numas frisas de S. Bento, em eventos de Estado, em datas ditas festivas. Ah! e põe cravo, que é para fazer esquecer o alento que deu à direita militar e ao enterrar dos amigos da conspiração novembrista. Às tantas, até deve ser sócio da Associação 25 de Abril.

Sempre vi Eanes como o "Pacheco" da política militar caseira, o gestor de silêncios graves, que impressionava mais pelo que não dizia mas, muito mais, pelo que deixava intuído. A esquerda bem-pensante que se colou ao homem depois do 25 de Novembro deve ter-se arrependido. Outros, deserdados do soarismo, deixaram-se ir no sebastiânico e "poujadista" PRD, com os inenarráveis Martinhos e outras figuras que pensaram ter ali a "fast lane" que lhes tinha escapado no PS. Parte do "país que somes" (como o homem dizia, à moda de Alcains, de onde, para a História, só fica o queijo) levou a sério, por algum tempo, esse debitador de lugares-comuns com voz grossa a armar a autoridade, uma espécie de "Mr. Chance" caseiro - com a chatice de Eanes ter chegado a presidente e o outro não. A Travessa do Fala Só foi o seu Alto de S. João político. Como irónico epitáfio não podia ser melhor.

Agora, beirando os 70, Eanes labutou numa universidade da "opus dei" e saiu de lá com um canudo, a modos que um reformado na universidade da 3ª idade. Se se ler com cuidado, o que ele pensa (pensa?) continua a ser mais do que irrelevante para o país. O ser ouvido por alguém é que é estranho: ele continua a ser um patético manequim fardado que, numa parada deserta de ideias, grunhe uma coisas graves em matéria de ordem unida, "excessivement graves", como diria o Steinbroken. Em tudo isto, não nos lembrarmos do "Lusitânia Expresso" é uma obra de caridade mínima a que devemos dedicar-nos.

Agora, ouvido pelo Expresso, nesta "silly season" em que se transformou o ano todo, continua a falar do país em tom de Estado, a dar-se ares de importância, porque já percebeu (percebeu ?) que a Madre de Deus nunca poderá ser Colombey-les-Deux-Eglises. E diz esta coisa fantástica: "não me aproveitam!". Não o aproveitam ? Ó Doutor Eanes, pergunte em Belém se não o aproveitaram nas últimas Presidenciais. Outra questão está em saber se serviu para alguma coisa. Há algo de indefinido que me leva a identificar Eanes com Manuel Monteiro, embora eu não queira ser desagradável para o simpático ex-lider centrista. E mais não digo, que isto de perder cera com ruins defuntos tira-me o sono.

25.1.07

Já não há respeito

O deputado do PSD e ex-secretário de Estado José Cesário levou uma cabeçada em Bruxelas. Notícia do 24 Horas, mesmo em cima do acontecimento, revela que Cesário ficou com um olho negro.

22.1.07

Que "esquerda" será esta?

Quase 70 por cento do eleitorado do PS, mais de 60 por cento dos eleitores do Bloco de Esquerda e de 40 por cento dos votantes do PCP entendem que Cavaco Silva está muito bem onde está e a fazer um bom trabalho, segundo uma sondagem do Correio da Manhã.
Bem faço eu que não obedeço a nenhum partido, confissão ou seita e que, na qualidade de cidadão particular, posso dizer e digo que o Chefe do Estado e o Presidente do Conselho estão bem um para o outro e ambos muito mal para Portugal e para os portugueses.

21.1.07

SIM

Eu moro aqui. E você ? Posted by Picasa

20.1.07

Mas o que é isto?!

Há alguns meses, postei um comentário à campanha anti-corrupção que o Engº Cravinho encetara na AR.
Essa campanha chegou, agora, ao melancólico fim que era fácil de antever.
As luminárias do grupo parlamentar nem sequer se apercebem que os argumentos de tartufo que usam para enterrar a iniciativa as deixa tão nuas como o rei da fábula. Ignoram a dimensão simbólica que teria o agendamento das propostas do Engº Cravinho e escondem-se, timoratos, atrás de argumentos técnicos para os quais o povo que os elegeu se está perfeitamente nas tintas.
São, quer queiram ou não, cúmplices da bandalheira que tem empurrado a vida pública do país, a pouco e pouco, para a sargeta.
Já me restam poucas dúvidas àcerca da necessidade de um estrondosa derrota eleitoral que seja um banho lustral para o chamado partido socialista.

19.1.07

Para... lamentar

Afinal, a direcção e a bancada parlamentas do PS não estiveram dispostas a apoiar o combate do deputado João Cravinho contra a corrupção, frustrando os votos oportunamente formulados aqui . E como Cravinho está de mala aviada para deixar S. Bento, lá se vai a “saudável excepção” que nos permitia manter a confiança na classe política.
Fica apenas a “corrupção instalada”, após mais uma actuação para… lamentar. E para suprema vergonha da bancada do PS - a haver ainda algum resto de vergonha -, o PSD mostrou-se disposto a assumir alguns dos projectos de Cravinho rejeitados pelos 'xuxalistas'.

Mas não se pense que houve aqui qualquer cabala contra o Espírito de Xabregas, a cujo acto fundacional João Cravinho está ligado. Para refutar tecnicamente os projectos de Cravinho, a bancada do PS foi buscar outro frequentador da Mesa 2 e jantante de Xabregas.

Enfim, dá para tudo mas, principalmente, para que os corruptos vivam mais uns tempos na paz dos anjos.

18.1.07

Adeus e até ao meu regresso

Um negociozito particular
entre duas pequenas
empresas privadas
- o empresário português
nem fazia parte
da comitiva oficial -
foi o que se conseguiu desenrascar, à falta de melhor, para apresentar como saldo da descoberta da India pelo Presidente da República de Portugal. Pffffffffffffff...
E com esta me vou. Para longe.

14.1.07

As bichas do Amadeo

Quem havia de dizer que Lisboa desfilaria, nocturnamente, às portas da Palhavã, para ir ver o Amadeo ! Os portugueses confirmam ser os pobres escravos da "dead-line" horária, os espertalhaços que, sempre a rondar o momento do encerramento, não querem deixar escapar nada de que a vizinhança fale muito - seja o Amadeo Souza Cardoso, sejam as últimas horas da Expo, sejam as aventuras da Cicciolina. O tema pouco importa: "então os outros gajos vão lá e eu não? Não queriam mai'nada!?"

"Round up the usual suspects..."


50 anos nem é muito tempo, caro Rick. Já então, que bom era ter um visto para Lisboa ! E, também, já então, a Bergman era belíssima - felizmente que nos deixou a filha para o lembrar. Mas Casablanca, Rick, não eras só tu: estavam lá o Paul Henreid, o Claude Rains e o excelente Peter Lorre - também este, felizmente, relembrado todos os dias por um sósia campouriquense que lhe prolonga a glória.

13.1.07

Filosofias




Segundo o DN de hoje há "um choque ideológico entre Mourinho e Abramavitch", motivado pelas suas diferentes "filosofias".
Não mereceriam ser referidos pelos Monty Python?

11.1.07

Olá cá estou eu!...

Para uns breves dias de férias,
aproveitando a temporária
libertação do território,
agora que o SExa que temos
se deslocalizou temporariamente,
acompanhado por boa parte
da Operação Furacão.
Temos que nos encontrar. Onde é que o pessoal se reúne agora?

Deo gratias e gratis pro Deo

Segundo revela um conhecido quotidiano, o Dr. Paulo Macedo, o célebre Director-Geral dos Impostos, mandou celebrar uma Missa de Acção de Graças pela sua Direcção-Geral e pelos seus funcionários.

Percebe-se que o senhor Dr. esteja agradecido pelo estipêndio que recebe do Estado. Percebe-se, também, que ache que a Drª. Manuela Ferreira Leite e o Dr. Teixeira dos Santos não passam de instrumentos através dos quais o Altíssimo lhe concedeu a Graça das dezenas de milhar de Euros que recebe. Percebe-se, até, que considere que as Graças que pretende agradecer alastram, por osmose, à burocracia que tão proficientemente dirige.

Já os contribuintes não estarão numa onda de tão santificada satisfação com a intervenção do Padre Eterno na sua vida fiscal.

Mas, que diabo (oops!...fugiu-me a boca para coisas menos adequadas!...), a Providência Divina não é a previdência divina e não pode acorrer a qualquer bicho careta que esportula "x" para os cofres do Estado, do Dr. Macedo ou do Reino Celestial.

A propósito do devoto acontecimento, S.Exª. o Ministro das Finanças (ou uma sua fonte ) declarou:
O Estado é laico. Respeita-se a liberdade religiosa das pessoas, ninguém é obrigado a ir".
Obrigadinhos pela dispensa, Senhora D. Fonte Oficial.

E sosseguem as víboras do esquadro e do avental, os tenebrosos bolecheviques e demais maldizentes: nem um só cêntimo do Estado será dispendido na piedosa iniciativa. A simpática e mediática Senhora D. Fonte esclarece que o ofício vai ser celebrado a título gratuito pelo patriarcado de Lisboa.

Suponho que a encantadora colunável, acompanhada pelo esposo, o Dr. Oficial, estará presente na Sé Patriarcal de Lisboa, pelas 18h30. é que isto do jet set e da beautiful people tem que se lhe diga.

Que Deus os acompanhe.

A Europa à rasca

Afinal, o post anterior deixa de ter sentido. Segundo meios europeus bem informados, há já um consenso estabelecido em Bruxelas no sentido de reconfirmar Durão Barroso para um segundo mandato à frente da presidência da Comissão Europeia. De acordo com esses mesmos meios, há o temor de que Barroso, tal como no passado, acabe por ser substituído por Santana Lopes. E a Europa não está em tempos de poder correr um risco de tal monta...

10.1.07

Constituição Europeia


Para quem não saiba, convém lembrar que a Constituição Europeia, tal como todos os anteriores tratados europeus, resultou de uma negociação intergovernamental, isto é, entre Governos. Foi, assim, um processo negocial conduzido por negociadores de todos os Estados membros. No final, o documento foi assinado por todos os Governos (por nós, foi Santana Lopes, o que deu outra solenidade ao berluscónico momento) e foi sujeito a ratificações parlamentares nacionais, com referendos ou não, de acordo com a vontade e as regras constitucionais próprias de cada país.

Naquela negociação, como nas anteriores, a Comissão Europeia teve um papel de observador, podendo fazer os seus comentários mas não dependendo, de forma alguma, do seu parecer a aprovação ou desaprovação do que viesse a ser acordado.

Daí que se perceba mal (ou talvez bem demais) o que faz correr Barroso, que anda para aí, afogueadamente, a dar-se ares de ter um papel a desempenhar no processo de eventual desbloqueamento do impasse entretanto criado pelos referendos negativos francês e holandês.

Não fosse o presidente da Comissão Europeia um cidadão português e eu seria tentado a dizer que ele anda a armar aos cágados e a pôr-se politicamente em bicos de pés, para se mostrar útil aos "grandes" (não fui eu que o disse, foi o "Financial Times"), tentando captar subliminarmente boas vontades de quem manda para vir a ser reconduzido. Mas porque o Dr. Barroso é cidadão português não digo nada disso, claro.